Turquia resgata cultura das tulipas em 2005

Milhões de tulipas disputam a atenção das pessoas com os lindos palácios e mesquitas na Turquia.

Foto By Britt

O país resolveu retomar a cultura da tulipa, séculos após as flores terem desaparecido da paisagem turca.

Retrato do Sultão Suleiman, o Magnífico (1520-1566)

Como já vimos aqui no blog, as tulipas são originárias da Turquia, ao contrário do que muitos imaginam, os turcos cultivavam tulipas muito antes dos holandeses. Inclusive a eles também devemos o nome da flor, inspirado na palavra turco-otomana tülbend, posteriormente afrancesada para tulipe, que originalmente significa turbante, considerando a forma da flor invertida.

Ela ainda tem um significado religioso, pois na escrita árabe a palavra tulipa se escreve l’le e lembra o nome de Alá.

De acordo com o governador de Istambul, Kadir Topbas, as tulipas são usadas há séculos em tecidos e pinturas na cerâmica e viraram até nomes de crianças.

O retorno da tulipa não se restringe a uma paisagem bonita durante a atual primavera turca.

Existem planos de se desenvolver toda uma indústria da flor, desafiando a supremacia da Holanda no setor. Será que isso é possível?

É lá também que acontece o International Istanbul Tulip Festival, todos os anos no mês de abril.

International Istanbul Tulip Festival

Haarlem

Foto by Estibaliz

Haarlem é uma cidade neerlandesa, capital da província da Holanda do Norte, a qual foi em tempos uma das mais poderosas províncias da República Unida dos Países Baixos. A cidade é localizada nas margens do rio Spaarne, a cerca de 20 km oeste de Amesterdã e próximo das dunas costeiras. Durante séculos, tem sido o centro histórico da produção de bulbos de tulipas e, pela mesma razão, mantém o nome de ‘Bloemenstad’ (cidade das flores).

Desde aproximadamente 1630, Haarlem é o maior centro de comércio de tulipas, e foi o epicentro durante a época denominada por “mania das tulipas”, quando o preço pago pelos bulbos destas flores atingiu valores exorbitantes. Quando o canal Leiden-Haarlem abriu em 1656, tornou-se popular viajar entre Roterdã e Amesterdã através de barcos de passageiros em vez dos tradicionais coches. Haarlem era uma importante paragem para os passageiros entre a segunda metade do século XVII e em todo o século XVIII, até à construção da primeira linha de comboio, paralela às rotas dos canais. Tal como Haarlem se expandiu, também os seus largos campos de bolbos de tulipas e, ainda hoje, é possível admirá-los na extensão férrea que liga Leiden a Haarlem durante a primavera.

O lema de Haarlem é em latim Vicit vim virtus, que significa “A virtude conquista a força”.

A mais antiga menção de Haarlem remonta ao século X. O nome da cidade advém de “Haarlo-heim” ou “Harulahem”, que significa ‘local, de areia coberto por árvores, mais elevado do que os outros’.

A cidade é famosa pelos seus muitos hofjes (conjunto de casas dispostas à volta de um páteo e que normalmente só têm uma saída para a rua). Estas construções, geralmente rodeadas por largos jardins, consistiam na sua maioria em casa privadas fundadas para receber mulheres idosas e sozinhas. Actualmente ainda existem dezenove hofjes em Haarlem; muitos deles encontram-se abertos ao público aos fins-de-semana. A maioria dos hofjes permanece propriedade das fundações originais e mantém o mesmo princípio para o qual foram construídos: receber mulheres idosas.

O Bloemencorso (Parada das Flores), que ocorre uma vez por ano, termina em Haarlem

Semper Augustus – a tulipa mais cara do mundo

Aquarela anônima do século XVII da Semper Augustus, o bulbo mais famoso de tulipa, que foi vendido por preço recorde.


Em 1623, um simples bulbo de uma variedade famosa de tulipa poderia custar muitos milhares de florins neerlandeses . Tulipas foram trocadas por terras, animais valiosos. Algumas variedades podiam custar mais que uma casa em Amsterdã. Dizia-se que um bom negociador de tulipas conseguia ganhar seis mil florins por mês, quando a renda média anual, à época, era de 150 florins. Um bulbo de tulipa passou a ser vendido pelo preço equivalente a 24toneladas de trigo. Por volta de 1635, a venda de 40 bulbos por 100.000 florins foi um recorde. Para efeito de comparação, uma tonelada de manteiga custava algo em torno de 100 florins e oito porcos graúdos custavam 240 florins. O recorde foi a venda de um dos mais famosos bulbos, o Semper Augustus, por 6.000 florins, em Haarlem.

Em 1636, tulipas eram vendidas nas bolsas de valores de numerosas cidades holandesas. O comércio das flores era encorajado por todos os membros da sociedade; muitas pessoas vendiam ou negociavam suas posses no intuito de especular no mercado de tulipas. Alguns especuladores tiveram muito lucro, enquanto outros perderam tudo ou quase tudo o que tinham.

Holambra, a cidade brasileira das tulipas

Quem mais importa são os Estados Unidos

Típica de lugares frios, como a Holanda, a planta já tem 40% da produção brasileira exportada

Holambra, a 140 quilômetros de São Paulo, é conhecida como a cidade das flores. Mas, se depender da família Schoenmaker, dona da fazenda Terra Viva, maior produtora do Brasil, em breve será chamada também de cidade das tulipas. A produção vem crescendo ano a ano. Em 2005, a Terra Viva vendeu 800 mil flores no mercado interno e exportou 1,2 milhão. Este ano, a produção deve subir para 2,4 milhões.

A quantidade de flores produzidas já é 20 vezes maior do que os dois contêineres de sementes de tulipas trazidas da Holanda para o Brasil pelo holandês Pietros Schoenmaker, há 20 anos. Ele foi um empresário corajoso. Acreditou na possibilidade de produzir tulipas num país tropical.

A flor, tipicamente de lugares frios, teve origem na Turquia e no século 16 foi levada para a Holanda, onde se adaptou muito bem. Tanto que se tornou um símbolo daquele país – hoje, maior produtor e exportador mundial. Lá existem mais de 2 mil variedades de tulipas e são exportadas cerca de 2 bilhões de sementes por ano.

Hoje, os bulbos (ou sementes) são importados da Holanda, mas as flores são produzidas na própria fazenda. Está em fase de teste o cultivo de bulbos na cidade catarinense de São Joaquim. A venda das tulipas é feita por meio de uma cooperativa, da qual participam 300 floricultores da região. Para comprar, só por encomenda ou leilão. O vaso com três flores custa, em média, R$ 25.

No mercado interno, as regiões que mais compram tulipas são a Sudeste e a Sul. Quem mais importa são os Estados Unidos. Os produtores de tulipas brasileiros aproveitam o período de maio a setembro, quando a produção da Holanda está em baixa, para explorar o mercado externo.

A procura pela planta é cada vez maior, segundo o gerente de produção da Terra Viva, José Ricardo de Souza, por causa de sua exclusividade. “A tulipa é difícil de produzir e de encontrar no mercado”, comenta.

O detalhe é que a exclusividade dura no máximo dez dias – o tempo de vida de uma tulipa. Para Schoenmaker, o que ela tem de exclusivo é a beleza. “É um flor muito simples e bonito”, disse, com o sotaque que faz questão de manter.